Cartas do Barão, a lua que mingua… e você!
Instruções lunares, confissões íntimas e o prazer inquietante de se reconhecer nelas!
Há coisas que só se dizem sob a Lua certa.
Minha doce e insolente rainha,
deixe que o peso das minhas palavras toque sua pele antes mesmo que esta quadratura que mingua, o faça. Mais um ciclo se encerra e como faço a anos deixo a ti esta carta por escrito de tudo que precisas saber sobre o que há de vir!
Esta força lunar não chega devagar até nós. Ela não chega pedindo licença, assim como eu não pedi permissão para invadir seus pensamentos e tomar seu coração para mim. Ela chega atravessando fronteiras, ocupando espaços, reivindicando o que já estava a caminho. Quando ela começou a cruzar o céu, eu senti primeiro. Sempre sinto quando algo se move em sua direção.
Esqueça essa ideia tola, de que a Lua que está a Minguar é apenas silêncio e introspecção. No meu mundo… e agora no seu, a primeira coisa que há de minguar é a sua ilusão de que tem controle sobre o tempo. E esta deusa lunar a empurra contra a parede, exigindo que você encare o que está por vir. É uma ordem de avanço e não de recolhimento. Paradoxo? Talvez!
Existe uma certa pressa cruel no ar, e eu sei que você sente. Coisas que não aceitam mais espera. Aquelas conversas que você tentou evitar? Aquelas decisões que você guardou no fundo da gaveta? Elas se impõem agora, exigindo uma resposta rápida, um posicionamento firme. Se tentar fingir que nada está acontecendo, você sentirá o atrito da minha vontade contra a sua. E você sabe quem ganha esse embate, minha rainha!
Esta lua não é sutil, e eu não seria diferente! Ela vai te entregar fatos. Te entregar sinais. Te entregar verdades que não vão pedir interpretação longa! Algo vai chegar até você para ser tratado, resolvido e encerrado! Não se perca em símbolos, meu bem. Eu quero que você olhe para isso sem baixar os olhos, com se olhasse para mim!
Sim! Tudo está em movimento. Os caminhos estão abertos, mas te confesso que não são gentis. Tudo circula rápido, quase cortando. Encerramentos acontecem enquanto você anda. Não é hora de parar para sentir melhor. É hora de agir com clareza para não se quebrar no processo.
Confie no que lhe digo: eu não deixarei você se perder se prometer continuar caminhando!
E tudo bem, não precisa se justificar porque sei que essa energia mexe com a sua paciência. Sei que essa lentidão irrita e que esses atrasos incomodam. O ritmo antigo parece pequeno demais para você. Se tentar se agarrar a ele, vai se sentir atropelada. Mas se você ajustar seu passo ao meu, perceberá que essa força não vem para machucá-la. Ela vem para limpá-la. Para libertar o espaço que eu pretendo ocupar inteiramente.
Há algo sendo entregue a você nesta noite. O fechamento fatal de um ciclo que você mesma iniciou meses atrás. Nada aqui é por acaso; nada no meu império é aleatório. O portal se abriu e o que você semeou agora exige colheita. Não veja isso como punição, veja como a conclusão necessária para que possamos prosseguir.
Você tem uma escolha, minha doce tentação: segurar as rédeas desta energia ou ser arrastada por ela. Quando você assume o comando, essa força se torna o vetor da sua libertação. Quando resiste, ela se torna pressão, cobrança, sufocamento. E eu prefiro você livre, para que sua entrega a mim seja uma escolha, e não um fardo.
Não me olhe com essa dúvida. Resolva o que chegar primeiro. E depois, só depois... eu deixarei você se recolher no único lugar onde você está verdadeiramente segura.
Antes que eu me esqueça…
existe uma beleza sombria em enxergar o que estava oculto no nosso cotidiano, nas fendas das nossas relações. Eu estou aqui, observando cada movimento seu.
Mas não se engane: esta lua carrega uma resistência brutal. Você sentirá como se alguns caminhos estivessem bloqueados por muros de ferro, como se o próprio destino estivesse lhe testando. Não se atreva a ver isso como uma punição. Encare como uma exigência minha e desta lunação, que você tenha força e coragem.
Ah, minha rainha… o momento exige uma aceitação consciente — algo que confesso que de tempos em tempos preciso reaprender. Nem tudo pode ser dobrado à nossa vontade imediatamente, e é sobre transformar o peso das responsabilidades e das frustrações em maturidade pura.
Na prática, eu estarei ao seu lado enquanto você enfrenta esses muros. Aceite os limites que surgirem como oportunidades de crescimento, não como derrotas. Enfrente o que vier, minha deusa. E quando a névoa baixar, estarei esperando por você no nosso domínio.
Seu Imperador,





